• Jorge E. L. Tinoco

Decapagem de esquadrias históricas de madeira

Atualizado: Jun 8

Os protocolos de boas práticas de remoção de camadas de tintas exige cuidados para não se causar danos aos lenhos que compõe o componente construtivo. Muitos profissionais denominam a ação de remover as camadas pictóricas de uma esquadrias como decapagem.


A remoção total ou parcial de camadas sobrepostas de tintas usando fogo de maçarico ou sopradores térmicos causam danos ao elementos de madeira das esquadrias. Assim como usar soluções químicas - removedores, disponíveis no comércio de materiais de pintura.

É importante pontuar que as remoções das camadas de tintas de uma esquadria só devem ser realizadas após as investigações para se saber dos aspectos e das características das camadas pictóricas. Ou seja, após algumas respostas serem respondidas com segurança: há pinturas ornamentais, decorativas, miméticas sob a camada de tinta aparente? (1). Essa advertência pode parecer ingenua ao profissional da área do restauro de bens móveis e integrados, mas não será para arquitetos, engenheiros, técnicos de edificações sem muita experiência que estão nos canteiros de obras em edificações de valor cultural. Alias, a imagem acima foi um flagrante da turma do Curso de Gestão de Restauro do CECI, durante uma visita técnica às obras de um restauro no bairro do Recife (PE), financiada pelo Monumenta/BID.

O uso do maçarico e do soprador térmico são equipamentos inadequados, pois podem queimar a madeira como ilustram as imagens. As madeiras mais antigas perdem com o tempo o vigor das fibras/ligninas, ficam, uma espécies mais outras menos, ressecas. Quando um ou outro equipamento concentra a chama ou o calor num ponto por um tempo pouco mais prolongado em determinadas áreas da esquadria, seja por distração do operador ou devido a resistência das camadas de massas e tintas, as possibilidades de queima é muito grande. As fibras, elemento mais visível, e a lignina, polímero orgânico reticulado ao nível molecular, da madeira não devem ficar sujeitas às temperaturas elevadas, tanto é assim que, quando expostas aos ambientes externos devem receber filmes protetivos de tintas ou vernizes.


A melhora maneira de remover as cadas envelhecidas de tinta, após as averiguações da inexistências de elementos decorativos ou miméticos mais antigos, é pelo processo de lixamento manual, usando folhas com densidades abrasivas suficientes para as remoções das tintas e massas envelhecidas. Aqui deve ser feita outra advertência, pois é comum o uso de espátulas e até de formões para remoção das partes mais encrustadas e entranhadas. Em esquadrias que têm molduras, modenaturas delicadas e, principalmente, sendo a madeira de espécie menos densa (mais macia), o risco de perdas das perfilaturas é elevado. Uma boa prática é usar pequenos calços para envolver a folha de lixa (2).













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(1) Era comum, em certas circunstâncias e dependendo do poder aquisitivo do proprietário do imóvel, as esquadrias, principalmente internas, receberem pinturas decorativas. Houve uma época no século XIX, após a Abertura dos Portos (1808), mimetizar as madeiras brasileiras que eram utilizadas em portas, janelas, forrações de paredes e até alguns móveis, para ficarem semelhantes ao pinho de riga.

(2) Mesmo o uso de micro retíficas não é aconselhável.

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